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terça-feira, 16 de julho de 2019

Metade



Hoje eu encontrei uma música do Thiago Brado, Metade, eu estava pensando em escrever sobre a minha nova paixão, e antes quis colocar uma música, e foi essa que encontrei... "tão perto mais distante" assim que eu me sinto em relação a diversas coisas na minha vida. Sabe minha nova paixão é um curso de pós-graduação que me matriculei para esse semestre, na PUC do Rio Grande do Sul, eu sempre quis ser aluna da PUC, lembro ainda quando eu passava na Av. Ipiranga em Porto Alegre e me apontavam a PUC dizendo olha, essa é a PUC, e eu pensava "quem sabe um dia estudo ai", estava tão perto mas tão longe, naquela época fazer uma graduação já era algo um pouco distante, meus sonhos se resumiam em sonhar o sonho dos outros, e eu estava lá na terra dos gaúchos pensando em viver um sonho de amor, estava noiva, planejando um casamento, mas lá eu encontrei algo que foi muito importante, lá eu conheci a terapia floral, o reiki, e dei inicio ao que hoje é minha carreira profissional, o noivado acabou, acabando, eu sei que nada é por acaso, eu precisei fazer todo aquele caminho para estar onde estou hoje, e só poderia ser daquela maneira. Meu ex-noivo foi um dos homens mais incríveis que eu conheci, e com certeza um dos mais especiais que passaram pela minha vida, e sempre vai ter um lugar especial na minha história, pena eu não poder contar pra ele toda essa jornada, todo esse movimento que me leva novamente para a Av. Ipiranga. Na verdade não estarei presencialmente lá, o curso é totalmente online, uma plataforma incrivelmente atrativa, e de outra maneira não poderia fazer esse curso agora, com a distancia daqui até o campus de lá, por isso mais uma vez "tão perto mais distante" mas ainda assim na PUC-RS.
O curso de pós-graduação em Psicologia Positiva é minha nova paixão, e é assim mesmo que me sinto, como tem muito tempo que não sinto, é um amor tão grande pela ideia de finalmente algo fazer com sentido, sinto que encontrei o verdadeiro sentido da vida. O trabalho que tenho desenvolvido tem me deixado muito feliz, e percebo em cada olho brilhante que deixa a minha sala que estou no caminho certo, vejo a evolução de cada atendimento, cada cliente, mas confesso me sinto metade, não sinto inteira, agora encontrei algo para me completar. Eu sempre tateei entre teorias e abordagens distintas, mas sentia falta de ter uma que fizesse um sentido especial, e já em 2004 quando encontrei o livro Felicidade Autêntica meus olhos brilharam e me lembro que naquele momento pensei, essa é a psicologia que quero executar, e agora com sua nova abordagem no livro Florescer senti aquele momento "EUREKA!" senti que tudo fez sentido, cada passo que dei me levou para esse momento, daí quando uma amiga disse, "olha estou interessada por uma pós que você vai gostar" minha vida se iluminou.
E se você achou que eu ia falar de amor, de amor romântico, até a música metade diz que é no "Senhor", ou seja, em Deus que vou achar a minha outra parte, para mim Deus é essa energia maravilhosa que costumo chamar Universo, e as vezes me faz sentido chamar de Amor, e se encontrar amor em algo você será inteiro, e todas as coisas então "serão acrescentadas". Eu aguardo sim minha outra parte, mas a aguardo feliz com uma vida cheia de sentido, porque sei que posso levar esse amor, e esse sentido da vida para a vida do meu próximo e preencher assim esse lugar que alguns chamam de vazio, fazendo florescer então aquilo tudo de bom que carregamos às vezes escondido, como semente pronta para germinar. E então direi tão perto.... tão perto.


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Dramática

Algumas semanas atrás alguém disse que eu sou dramática, alguém que mal me conhece, quando acabamos de conhecer alguém é fácil julgar por esse ou aquele comportamento, é fácil julgar sem conhecer a história do outro. Talvez eu realmente seja dramática, mas o que é ser dramática? De acordo com algumas definições o drama remete ao exagero.
Passei a vida toda desde muito cedo procurando ser exemplar, boas notas, obediente, amiga dos amigos, uma menina que todos de alguma maneira admiravam. Mas na verdade eu não sei se eu era realmente uma menina assim. Meus pais, como a maioria dos pais, me educaram muito bem, mas me protegeram excessivamente, do que eles acreditavam ser "o mundo". Lembro com muita clareza de uma festa que a escola fez em um centro de eventos, no final foi jogado balas para as crianças, eu me lembro que não consegui pegar nenhuma, já estava na hora de ir embora e os pais já estavam esperando, naquele dia meu pai tinha ido me pegar, e ele veio na minha direção com as mãos cheias de balas, acho que eu nunca precisei lidar com muitas frustações na infância.
Não posso dizer que tive uma infância difícil, não éramos abastados, meu pai trabalhava muito, minha mãe ficava em casa e cuidada de mim e do meu irmão, e de tudo mais da casa, mas eles sempre nos proporcionaram tudo que era possível.
E como boa menina exemplar acredito que eles sempre imaginaram que eu era autossuficiente e sabia me virar, acredito que eu até sabia me virar, mas sentia um medo danado. Por isso talvez eu tenha preferido abdicar dos meus próprios desejos para viver o desejo dos outros, é como se eu não pudesse sonhar porque realizar um sonho era algo muito complexo pra mim, dava medo, então eu vivia ajudando os outros a realizarem os seus desejos, era mais fácil. Foi assim durante muitos anos. Então, claro, adoeci, porque uma vida sem sonhos é uma vida patológica, muitas pessoas do meu convívio não notavam isso acontecer, não notavam que eu estava sempre ajudando, ajudando, ajudando; raramente eu pedia algo para mim, e elas sempre acreditavam que eu já tinha o suficiente.
Não sinto que eu seja dramática, exagerada ou algo do tipo, eu sinto que vivi muita coisa na vida, e essa bagagem as vezes pesa, estou cada dia me livrando do peso de algumas emoções, mas confesso que em alguns momentos é complicado pra mim cobrar o meu espaço diante de algumas situações, mas tenho enfrentado o medo, e como todos pegam pedaços de histórias, não olham o contexto podem sim me achar exagerada, cobrando que me olhem como sou, e não como acreditam que eu deva ser, talvez por isso possam me achar dramática quando eu digo o que penso, quando coloco o que sinto, porque esperam de mim um outro comportamento, esperam de mim uma passividade, mas eu não sou uma pessoa passiva, como eu acreditei por muitos anos que eu fosse.
Eu acreditei em muita coisa, acreditava que eu era tímida, que eu era fraca, que eu não tinha potencial, porque eu sempre tinha dificuldades de interagir com as pessoas, sempre acatava tudo que me falavam, e não lutava por coisas que eu queria. Hoje eu vejo que não era timidez, fraqueza ou falta de potencial, era apenas medo, medo do julgamento dos outros, eu tinha que ser exemplar, e me achava um rascunho, uma manuscrito que não seria editado. Percebem o drama? O exagero? Na verdade quando me chamam de dramática, talvez poderiam dizer, boa observadora. Eu enxergo as coisas, eu vejo as coisas acontecerem e expresso o que sinto, porque hoje eu não preciso ter medo de ser quem sou, de dizer o que penso, e realizar os meus sonhos.
Talvez o meu drama seja esse, lutar pelo meu espaço e dizer o que sinto da maneira que eu sinto, claro sem querer ofender, diminuir ou coisa do tipo, mas também não deixando que ninguém me ofenda, diminua ou faça de ridícula.
Cada um de nós tem o direito de lutar por si mesmo, por seus ideais, por suas convicções. Sou muito grata a tudo que a vida me proporcionou como aprendizado, inclusive os momentos que me tornaram tão dramática, porque é fácil para quem vê de fora julgar, se pudéssemos experimentar a vida do outro a quem julgamos, muitas coisas seriam diferentes.

sábado, 20 de novembro de 2010

Caminhos

Uma bifurcação,
era sempre o que eu encontrava
bem a minha frente,
a estrada se dividia em duas,
e por qualquer lado que eu fosse
a incerteza caminhava junto comigo.

Becos sem saída, 
todo um longo caminho percorrido 
aparentemente em vão,
o longo regresso, ao ponto inicial
ensina que nunca é tarde para se recomeçar,
e o caminho tomado no regresso
nunca é o mesmo pelo qual já se passou,
o nosso olhar sempre muda,
amadurece.

O caminho de volta parecer ser sempre mais curto,
parece ser sempre mais familiar, 
apesar das mudanças deixadas pelas estações.
Recomeçar nos permite olhar mais uma vez,
olhar com mais atenção;
escolhendo a melhor direção.
Até chegar no ponto,
no ponto onde as bifurcações acabam,
onde existe apenas um caminho a seguir,
onde a estrada longa e aparentemente infinita
leva ao paraíso antes apenas imaginado.

Errar o caminho algumas vezes,
torna a aventura emocionante,
torna a busca gratificante
a cada passo, a cada nova cor,
a cada nova sensação.
A cada encontro, a cada despedida.
A cada nova amizade conquistada.
Com certeza a felicidade encontra-se
não no destino, mas na viagem feita
através dos mais inusitados caminhos, 
até o ponto elementar.

Por isso caminhos errados 
também são caminhos, 
caminhos para os peregrinos,
peregrinos na rota da viagem da existência.

domingo, 14 de novembro de 2010

Levante-se

As maiores lições estão nas coisas mais simples,
Para tudo existe um propósito,
até para as dores mais torturantes...
Para toda questão lançada ao universo
uma resposta chega, no momento exato
no momento em que realmente importa saber.

Depois de uma queda 
com as mãos cheias de lama
nos erguemos,
às vezes humilhados pelo tombo.
A queda nos ensina a levantar,
a limpar as mãos, seguir em frente...

Não podemos nos deixar abater
por todo tombo que levamos na vida,
ou da vida.
Algumas vezes fechamos os olhos
para os sinais que a vida nós dá
diariamente.

tudo tem o seu tempo certo
e o tempo é um mestre.

Nas quedas, perguntava sempre
Por que? 
Porque cair, porque me levantar,
se adiante inevitávelmente
eu poderia novamente cair.

Então sem perceber
a última pétala da flor caiu
era inevitável,
como as sementes poderiam chegar ao chão
antes que a última pétala caisse?

Se a vida lhe faz cair,
é para mostrar a força que tens,
para reeguer-se e seguir em frente.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Porque Comemoro

Havia uma luz indiscritível em seus olhos,
e também nos meus.
Sentia como se estivesse ganhando asas,
e me tornasse capaz de voar, cada vez mais alto e além.
como se nenhuma corrente
pudesse me prender,
como se nenhum ferro em brasa
pudesse me ferir.

Envolta pelo seus braços,
sentia paz, a paz que deve existir
no momento em que os anjos cantam.
Senti como se eu fosse maior do que sou,
como se fosse mais forte.
Em seu abraço, macio e doce
Como a infância,
a inocente infância.

Todos os meses nesse dia
Comemoro algo particularmente especial,
comemoro o dia em que a minha vida
ganhou um novo sentido;
comemoro o dia em que a minha vida
passou a ter e a fazer sentido.

Comemoro todos os meses, 
porque acho importante recordar sempre,
coisas tão simples jamais devem ser esquecidas,
coisas tão importantes devem ser lembradas
e revividas sempre.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

O sentido da vida

Algumas vezes me pergunto, qual o sentido da existência? Muitos filósofos, poetas, escritores escreveram a respeito, buscando resposta para tão difícil questão, um estudo americano buscou por respostas, e chegou a conclusão que o sentido da vida é desfrutá-la, me pareceu uma resposta simples, mas uma resposta sensata, afinal grandes nomes como Sigmund Freud, criador da psicanálise, e os escritores Frank Kafka, Jean-Paul Sartre e Joseph Conrad disseram que a vida não tem sentido, e pensar assim é além de ser simplista, é ser pessimista demais! Não poderia não ter sentido estar vivo, existir! 
Eu acredito que o sentido da vida está em estar vivo, e estando vivos devemos aproveitar cada instante, cada momento, cada descoberta, cada aventura. Sendo assim, concordo com o estudo americano, o sentido é aproveitar a vida, é vive-la! Se hoje chove, aproveite! se está frio, aproveite! se faz calor, aproveite! se você está apaixonado, aproveite! quando as coisas não estiverem indo bem, aproveite, você pode tentar fazê-las melhorar!
Tem muita coisa ruim acontecendo no mundo, e às vezes as coisas parecem perder o sentido, busque um novo sentido, trace metas, tenha coragem, não perca a fé! Viver é uma grande aventura, onde você e suas atitudes são o que determinam o que acontecerá a seguir! Não viva procurando por problemas, viva encontrando soluções!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Refletindo....
Estive refletindo sobre a vida, e ao pensar na vida percebi que é impossível pensar nela e não ponderar a morte, já que tudo tem um começo e um fim. Estive então refletindo sobre o que é afinal a vida, será que é tão somente o encontro com a morte... me lembrei de tantos que morrerão tão jovens, que conquistaram tão pouco, viveram tão pouco. Então de subto me veio um pensamento que nada tem de maluco, vivemos enterrando, vivemos de luto; todo dia é uma ganhar e um perder, cada dia é um nascer e um morrer. Quando abro os olhos pela manhã, acabo de renascer, vou viver aquele dia, pois é o que tenho pra viver, muitas coisas vão acontecer, vou ver pessoas conhecidas, vou conhecer novas pessoas, vou pedir informação, vou dar informação, vou sem querer magoar alguém e talvez também seja magoado, vou ver lugares, vou desviar de lugares, muitas coisas vão acontecer, até que aquele dia vai chegar ao fim, a noite vai cair e nos braços de morfeu vou me aconchegar, ou seja, vou me entregar ao deus do sono, o sono não é então uma morte? como uma fenix mitologica vou ser cinzas, e no raiar do dia despertar... renascer.
Parece até uma reflexão tola, maluca, mas falar de vida e de morte é uma reflexão assim meio louca; porque viver e morrer é coisa tão séria, e falar de coisas sérias é parecer meio louco; não é assim que o pai de Alice definiu o sonho maluco da filha? não foi assim que Alice definiu a loucura do chapeleiro? os loucos são os melhores, porque dentro deles existe um sonho, uma fantasia, um desejo... Nós às vezes tão preocupados com tudo, deixamos de sonhar, deixamos de desejar, deixamos apenas a vida acontecer, contemos o nosso lado louco, nossa lado infantil, para viver as regras, para viver o amargor. E o dia vai embora, e se desperdiça a vida... 
Viver é aventurar-se, foi a conclusão que cheguei da minha reflexão, enquanto morrer, morrer é não aventurar-se... é viver enterrando coisas que desejou... viver de luto pelo não ter... pelo não ser...
Viver é sonhar, é querer, é buscar!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quem é cruel? A vida?
Não seremos nós mesmos os donos de nossas próprias vidas? não seremos nós mesmos responsáveis pelas nossas escolhas?
Cruel, a vida?
Cruéis são os nossos pensamentos torturantes, criados por nós mesmos.
Somos o nosso próprio vilão e o nosso próprio mocinho, lutando sempre por verdades que são nossos próprios devaneios. A vida de cada um se assemelha à um barco, somos o capitão, donos do leme da embarcação, sabemos onde queremos chegar, em que porto queremos atracar, só não sabemos o que nos espera no infinito mar, nas tempestadades necessitamos punho forte, afim de manter o leme e não virarmos o barco nas ondas do mar, necessitamos de uma bússola que nos mostre norte a fim de não ficar a deriva, perdidos no meio do nada, sem saber o caminho a tomar.
Cruel é quem pensa que a tempestade é o fim, é a tragédia na vida, no mar. Cruel é quem não acredita na sua própria força, cruel é quem perde a bússola e culpa o mal tempo, ficando a deriva no mar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O desejo

O ser humano é um eterno insatisfeito, sempre desejando tudo em função do outro. Fico pensando na minha própria constante insatisfação a cerca da vida, como se nada melhor pudesse acontecer, não posso concordar com Freud, porque sou humana e nenhum humano pode admitir facilmente que sua vida será sempre uma falta. A gente quer viver cheio e completo, mas é verdade que quando alcançamos um desejo, passamos a almejar outro. A felicidade é inalcançável, podemos viver momentos alegres, mas nunca estamos completamente felizes, realmente sempre falta algo, material ou imaterial.
Tenho me sentido podada, como se uma das asas me fosse arrancada, me impedindo de voar, se é que algum dia eu voei na posse das duas asas. Sinto me como um passarinho que caiu do ninho e está perdido, sozinho e com fome. Fome de vida, de amor, de afeto, fome... não é do alimento que nutre o corpo mas do alimento que nutre a alma.
Olho em volta e vejo pessoas tão frias, tão egoístas, pessoas ridículas que mendigam atenção e que são capazes de ferir, magoar o próximo para se sobressair ou por instinto de defesa. Eu, às vezes, me sinto mais uma dessas pessoas ridículas no mundo, incapaz de alimentar qualquer pequeno pássaro que caiu do ninho.
Estou aqui, falando de pássaros caídos, justo eu que tenho medo desses bichos com penas, deve existir dentro de cada um, um pássaro, com penas, e eu devo temer o meu próprio pássaro, sempre cortanto suas asas e o impedindo de voar. Aprisionando ele na gaiola da minha alma, se bem que a alma não pode ter gaiolas. Talvez esteja preso naquilo que Freud chama de inconsciente.
O que desejo? de verdade? já não sei, porque o que adianta desejar se sempre me faltará algo? talvez eu quisesse ter as duas asas e voar, livremente, pelos lugares mais lindos da terra. Mas não me contentaria em ter apenas as duas asas e voar, do que adiantaria contemplar o mundo e suas belezas sozinha? Eis ai a insatisfação, precisamos sempre de uma outra pessoa, que esteja ao nosso lado e que possa contemplar ao nosso lado as belezas da terra, que possa sentir a mesma brisa, o mesmo perfume, sentir o calor das mesmas estações.
Não quero ser sempre o pássaro que caiu do ninho, ou ser aquela que aprisiona o pássaro. Quero voar livre e acompanhada. Sentir a vida no vento que toca minha pele. Desejo o desejo do outro, o desejo de estar voando feliz, por estar ao meu lado. Desejo ser alimento e ser alimentada. Desejo o amor, que é o alimento da alma.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Conquista da Felicidade

Toda a desilusão é para mim uma doença que certas circunstâncias podem tornar inevitável, é verdade, mas que, quando se produz, nem por isso deve deixar de ser tratada o mais rápidamente possível, em vez de ser olhada como uma forma superior de sabedoria. Um homem, suponhamos, gosta de morangos e um outro não gosta; em que é que o último é superior ao primeiro? Não há nenhuma prova impessoal e abstracta de que os morangos sejam bons ou maus. Para quem gosta são bons, para quem não gosta são maus. Mas o homem que gosta tem um prazer que o outro não conhece; sobre este ponto, a sua vida é mais agradável e está melhor adaptado ao mundo onde ambos têm de viver.
O que é verdadeiro neste exemplo trivial é igualmente verdade nas questões mais importantes. O homem que gosta de assistir a desafios de futebol é sob esse aspecto supeior ao homem que não gosta. O que aprecia a leitura é ainda mais superior do que aquele que não a aprecia, pois as oportunidade de ler são mais frequentes do que as de ver desafios de futebol. Quanto mais objectos de interesse um homem tem, mais ocasiões tem também de ser feliz e menos está á mercê do destino, pois se perder um pode recorrer a outro. A vida é demasiado curta para nos permitir interessar-nos por todas as coisas, mas é bom que nos interessemos por tantas quantas forem necessárias para preencher os nossos dias. Somos todos propensos à doença do introvertido que, perante o multiforme espectáculo que o mundo lhe oferece, desvia a vista para contemplar somente o vazio dentro de si.

Bertrand Russell, in "A Conquista da Felicidade"