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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Enquanto você dormia

Tenho tantas coisas para colocar no lugar, tantas ideias para organizar. Quero fazer mil coisas, quero ler mil livros, quero estar em mil lugares, não quero dormir.
Quero abraçar mil causas, quero ter mil amores, quero me afastar, quero estar perto, tanta coisa que eu quero.
Mas o que eu quero de fato? Será que quero mesmo tudo isso?
Hoje estava vendo alguns trechos do filme Enquanto você dormia, que me trouxe boas lembranças e fiquei pensando na vida da doce Luci, que pensava querer algo que ao final a levou a uma outra coisa muito mais grandiosa, uma doce ilusão, uma fantasia, a levou encontrar o verdadeiro amor. De uma coisa Luci sabia, o que ela queria era deixar a solidão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

As quatro verdades de Buda

Estava pensando sobre algumas questões da vida e resolvi pesquisar sobre o budismo, encontrei então as quatro grandes verdades de Buda:

A existência implica a dor -- O nascimento, a idade, a morte e os desejos são sofrimentos.

A origem da dor é o desejo e o afeto -- As pessoas buscam prazeres que não duram muito tempo e buscam alegria que leva a mais sofrimento.

O fim da dor -- só é possível com o fim do desejo.

A Quarta Verdade -- se prega que a superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos: 

Compreensão correta: a pessoa deve aceitar as Quatro Verdades e os oito passos de Buda.
Pensamento correto: A pessoa deve renunciar todo prazer através dos sentidos e o pensamento mal.
Linguagem correta: A pessoa não deve mentir, enganar ou abusar de ninguém.
Comportamento correto: A pessoa não deve destruir nenhuma criatura, ou cometer atos ilegais.
Modo de vida correto: O modo de vida não deve trazer prejuízo a nada ou a ninguém.
Esforço correto: A pessoa deve evitar qualquer mal hábito e desfazer de qualquer um que o possua.
Desígnio correto: A pessoa deve observar, estar alerta, livre de desejo e da dor.
Meditação correta: Ao abandonar todos os prazeres sensuais, as más qualidades, alegrias e dores, a pessoa deve entrar nos quatro gráus da meditação, que são produzidos pela concentração.

Isso me fez lembrar de um trabalho da faculdade, sobre o Desejo segundo Freud, na verdade o ser humano realmente vive movido pelo desejo, até postei algo sobre isso (leia aqui), agora lendo as verdades de Buda percebo quanto o desejo nos faz reféns de uma vida incompleta e infeliz, não só o desejo, mas como nos diz buda também os afetos.
Desejamos ter, no lugar de desejar ser; desejamos coisas que só a curto prazo podem nos trazer algum tipo de prazer, quando o mais correto seria buscar por coisas que permaneçam a longo prazo, essas coisas geralmente estão dentro de nós mesmos, porque já nascemos donos delas, apenas esquecemos com o decorrer da vida de que a maior felicidade encontrasse no próprio interior e não nas coisas do exterior. As coisas no exterior são um reflexo da nossa condição interior. 
Nesse momento fico imaginando uma sociedade seguidora dos ensinamentos de Buda, como seria diferente, como haveria mais paz, mais harmonia... será que um dia algo assim será possível?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

2010

O ano está chegando ao fim, estava olhando minha pequena lista de desejos, feita no início do ano, não consegui realizar muitos dos desejos escritos, mas realizei outros maravilhosos, às vezes as coisas não acontecem da maneira que planejamos, e isso não é de maneira alguma ruim, às vezes somos presenteados com coisas que nem esperavamos e a surpresa aumenta a sensação de alegria e realização; deixei a faculdade no final do primeiro semestre e hoje percebo o quando ser sincera comigo mesma pode me ajudar a encontrar meu caminho. 
Encontrei me comigo mesma, pude olhar para dentro de mim, pude perceber quem sou, o quero, e pra onde vou. Não foi fácil, não foi simples, mas foi maravilhoso. Conheci pessoas incríveis que me ensinaram na simplicidade coisas que vou carregar pra vida toda, cada um da sua maneira, talvez sem nem perceber, promoveu algo gigantesco dentro de mim.
Com certeza 2010 foi o ano das realizações, perdi algumas coisas, ganhei outras, desisti de algumas coisas, pude persistir em outras, de todas as escolhas que fiz não carrego arrependimentos, algumas feridas que a luta ardua do dia-a-dia continuam a doer, e essa dor me faz querer um 2011 ainda melhor, porque é essa dor que transforma, que edifica, que eleva a alma.
Desejo então que 2011 seja um ano cheio de saúde, prosperidade e AMOR, a mim e a todos, que cada um possa fazer o seu melhor, por si mesmo e também pelo outro, que cada um possa respeitar a si e ao outro. 
As palavras para 2010 foram: Caminho, Tempo, Coragem; vou agora seguir buscando as palavras para 2011, talvez sejam: Amor, Compreensão, Realização!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O desejo

O ser humano é um eterno insatisfeito, sempre desejando tudo em função do outro. Fico pensando na minha própria constante insatisfação a cerca da vida, como se nada melhor pudesse acontecer, não posso concordar com Freud, porque sou humana e nenhum humano pode admitir facilmente que sua vida será sempre uma falta. A gente quer viver cheio e completo, mas é verdade que quando alcançamos um desejo, passamos a almejar outro. A felicidade é inalcançável, podemos viver momentos alegres, mas nunca estamos completamente felizes, realmente sempre falta algo, material ou imaterial.
Tenho me sentido podada, como se uma das asas me fosse arrancada, me impedindo de voar, se é que algum dia eu voei na posse das duas asas. Sinto me como um passarinho que caiu do ninho e está perdido, sozinho e com fome. Fome de vida, de amor, de afeto, fome... não é do alimento que nutre o corpo mas do alimento que nutre a alma.
Olho em volta e vejo pessoas tão frias, tão egoístas, pessoas ridículas que mendigam atenção e que são capazes de ferir, magoar o próximo para se sobressair ou por instinto de defesa. Eu, às vezes, me sinto mais uma dessas pessoas ridículas no mundo, incapaz de alimentar qualquer pequeno pássaro que caiu do ninho.
Estou aqui, falando de pássaros caídos, justo eu que tenho medo desses bichos com penas, deve existir dentro de cada um, um pássaro, com penas, e eu devo temer o meu próprio pássaro, sempre cortanto suas asas e o impedindo de voar. Aprisionando ele na gaiola da minha alma, se bem que a alma não pode ter gaiolas. Talvez esteja preso naquilo que Freud chama de inconsciente.
O que desejo? de verdade? já não sei, porque o que adianta desejar se sempre me faltará algo? talvez eu quisesse ter as duas asas e voar, livremente, pelos lugares mais lindos da terra. Mas não me contentaria em ter apenas as duas asas e voar, do que adiantaria contemplar o mundo e suas belezas sozinha? Eis ai a insatisfação, precisamos sempre de uma outra pessoa, que esteja ao nosso lado e que possa contemplar ao nosso lado as belezas da terra, que possa sentir a mesma brisa, o mesmo perfume, sentir o calor das mesmas estações.
Não quero ser sempre o pássaro que caiu do ninho, ou ser aquela que aprisiona o pássaro. Quero voar livre e acompanhada. Sentir a vida no vento que toca minha pele. Desejo o desejo do outro, o desejo de estar voando feliz, por estar ao meu lado. Desejo ser alimento e ser alimentada. Desejo o amor, que é o alimento da alma.