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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Dramática

Algumas semanas atrás alguém disse que eu sou dramática, alguém que mal me conhece, quando acabamos de conhecer alguém é fácil julgar por esse ou aquele comportamento, é fácil julgar sem conhecer a história do outro. Talvez eu realmente seja dramática, mas o que é ser dramática? De acordo com algumas definições o drama remete ao exagero.
Passei a vida toda desde muito cedo procurando ser exemplar, boas notas, obediente, amiga dos amigos, uma menina que todos de alguma maneira admiravam. Mas na verdade eu não sei se eu era realmente uma menina assim. Meus pais, como a maioria dos pais, me educaram muito bem, mas me protegeram excessivamente, do que eles acreditavam ser "o mundo". Lembro com muita clareza de uma festa que a escola fez em um centro de eventos, no final foi jogado balas para as crianças, eu me lembro que não consegui pegar nenhuma, já estava na hora de ir embora e os pais já estavam esperando, naquele dia meu pai tinha ido me pegar, e ele veio na minha direção com as mãos cheias de balas, acho que eu nunca precisei lidar com muitas frustações na infância.
Não posso dizer que tive uma infância difícil, não éramos abastados, meu pai trabalhava muito, minha mãe ficava em casa e cuidada de mim e do meu irmão, e de tudo mais da casa, mas eles sempre nos proporcionaram tudo que era possível.
E como boa menina exemplar acredito que eles sempre imaginaram que eu era autossuficiente e sabia me virar, acredito que eu até sabia me virar, mas sentia um medo danado. Por isso talvez eu tenha preferido abdicar dos meus próprios desejos para viver o desejo dos outros, é como se eu não pudesse sonhar porque realizar um sonho era algo muito complexo pra mim, dava medo, então eu vivia ajudando os outros a realizarem os seus desejos, era mais fácil. Foi assim durante muitos anos. Então, claro, adoeci, porque uma vida sem sonhos é uma vida patológica, muitas pessoas do meu convívio não notavam isso acontecer, não notavam que eu estava sempre ajudando, ajudando, ajudando; raramente eu pedia algo para mim, e elas sempre acreditavam que eu já tinha o suficiente.
Não sinto que eu seja dramática, exagerada ou algo do tipo, eu sinto que vivi muita coisa na vida, e essa bagagem as vezes pesa, estou cada dia me livrando do peso de algumas emoções, mas confesso que em alguns momentos é complicado pra mim cobrar o meu espaço diante de algumas situações, mas tenho enfrentado o medo, e como todos pegam pedaços de histórias, não olham o contexto podem sim me achar exagerada, cobrando que me olhem como sou, e não como acreditam que eu deva ser, talvez por isso possam me achar dramática quando eu digo o que penso, quando coloco o que sinto, porque esperam de mim um outro comportamento, esperam de mim uma passividade, mas eu não sou uma pessoa passiva, como eu acreditei por muitos anos que eu fosse.
Eu acreditei em muita coisa, acreditava que eu era tímida, que eu era fraca, que eu não tinha potencial, porque eu sempre tinha dificuldades de interagir com as pessoas, sempre acatava tudo que me falavam, e não lutava por coisas que eu queria. Hoje eu vejo que não era timidez, fraqueza ou falta de potencial, era apenas medo, medo do julgamento dos outros, eu tinha que ser exemplar, e me achava um rascunho, uma manuscrito que não seria editado. Percebem o drama? O exagero? Na verdade quando me chamam de dramática, talvez poderiam dizer, boa observadora. Eu enxergo as coisas, eu vejo as coisas acontecerem e expresso o que sinto, porque hoje eu não preciso ter medo de ser quem sou, de dizer o que penso, e realizar os meus sonhos.
Talvez o meu drama seja esse, lutar pelo meu espaço e dizer o que sinto da maneira que eu sinto, claro sem querer ofender, diminuir ou coisa do tipo, mas também não deixando que ninguém me ofenda, diminua ou faça de ridícula.
Cada um de nós tem o direito de lutar por si mesmo, por seus ideais, por suas convicções. Sou muito grata a tudo que a vida me proporcionou como aprendizado, inclusive os momentos que me tornaram tão dramática, porque é fácil para quem vê de fora julgar, se pudéssemos experimentar a vida do outro a quem julgamos, muitas coisas seriam diferentes.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Nada por Acaso

Eu descobri finalmente meu hobbie, é escrever, e então estou aqui aproveitando desse meu prazer para deixar registrado que segundas feiras podem sim ser um dia maravilhoso. Sempre tudo depende única e exclusivamente de nós mesmos. Meu dia começou já com alguns imprevistos, e no primeiro imprevisto já notei que eu tinha duas escolhas, ou eu aproveitava do tempo que ele me proporcionou, ou eu reclamava do tempo que ele me proporcionou, como ando aprendendo as lições resolvi escolher a primeira, então coloquei em ordem algumas coisas que estavam em pendência, e consegui arrumar todas. Então mais tarde tive um outro imprevisto, e eu percebi que novamente tinha duas escolhas, ficar chateada porque esperei e algo não veio, o que custou meu almoço, ou aproveitar o tempo e o lanche leve que eu havia feito para poder meditar, coisa que muitas vezes não consigo fazer por falta do danado do tempo; já sabem né, eu meditei. Então o dia seguiu, eu tinha um terceiro imprevisto e eu que não sou de acreditar em simples e meras coincidências resolvi continuar na "vibe" e escolher fazer o melhor com o meu tempo, então coloquei minha playlist "saudosismo" peguei estrada e fui buscar uma encomenda que eu havia delegado para outros pegarem para mim, mas que esses não tinha conseguido pegar, fui então eu mesma, peguei a encomenda, tinha ainda algum tempo então fui visitar minha mãe, tomar um cafezinho na padaria, e então ganhei aquela cereja do bolo sabe, um senhor simpático entrou, e minha mãe foi logo dizendo: "Essa é minha filha" esse senhor com um sorriso veio em minha direção e apertou a minha mão, essa mão foi a primeira mão que me tocou na vida, ele foi o médico que fez meu parto, na hora eu nem me dei conta de como aquele aperto de mão era importante, mas no caminho de volta ao trabalho, novamente com a minha playlist tocando eu me dei conta da importância daquela mão, e não é me "achando", mas então pensei na importância da minha vida.
Cada um de nós está aqui para desempenhar um papel, não diria cumprir, mas desenvolver, não estamos apenas para executar tarefas, mas para melhorar a nossa própria vida e a vida das pessoas que nos cercam. E cada um de nós está onde precisa estar, nada está fora do lugar. Hoje eu me senti com um folha que se desprendeu do galho alto de uma árvore, e me deixei levar pelo vento, sem questionar para onde ele poderia me levar, apenas agradecendo o fato de existir um vento que poderia me levar para algum lugar. E de fato com o sentimento de gratidão no coração, meu corpo se animou, fez movimentos, pensou coisas, resolveu conflitos, descansou, e eu percebi que não dá pra controlar o vento, não dá pra controlar a vida, a vida é esse vento, e ela vai te levando onde você pode aprender mais e mais.
Aproveite bem o seu Hoje! seja ele o dia que for!

domingo, 14 de abril de 2019

Terapia no almoço



Vemos sempre artigos e pequenas reflexões falando a importância de tomar um cafezinho com os amigos, que não tem terapia melhor. Pra quem me encontrar na hora do almoço talvez me verá com o celular na mão, e rindo e pensará que sou compulsiva por redes sociais, na verdade quase todos dos dias na hora do almoço troco mensagem com meu melhor amigo, talvez ele nem saiba mas é um dos momentos mais alegres do meu dia, já faz muito tempo que é assim, se fico dois ou três dias sem falar com ele no almoço sinto falta. São assuntos diversos mas um tema recorrente são os relacionamentos, nossas conversas deviam virar um livro do tipo "Almoço filosófico no Whats app", geralmente estamos usando esse aplicativo, a maioria das frases tem risadas, daquele emoticon que rola mesmo de rir, algumas vezes eu fico pensando se muitas pessoas tem esse prazer, de ter um amigo que as faz gargalhar com coisas tão triviais. Sempre estamos falando das coisas banais que ocorrem no nosso dia a dia, na verdade muitas vezes me sinto egoísta porque sempre o enfoque são as coisas banais do meu dia, talvez pudesse repensar no titulo do livro, poderia ser algo do tipo "As peripécias da Paty" o bacana disso tudo é o não julgamento um do outro, falamos o que pensamos sem filtro, e sabendo que do outro lado só vamos receber risadas rolando. Teve uma vez que meu amigo me disse que seu celular avisou que tinha milhares de mensagens minhas e que nossa conversa meio que lotou, mas se corresse a barra de rolagem se percebia que a maioria das caixas de dialogo tinha um eterno: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, isso mesmo cada caixa com frases tinha umas três caixas cheias de risadas.
Mas nem todo dia é riso, tem dia o papo é sério, começa sério e depois vai ganhando um tema cômico, acho que a maioria das coisas na minha é assim, já até me acostumei e quem me conhece também. A hora do almoço em muitos dos meus dias é a minha terapia. Só de saber que tem alguém do outro lado me ouvindo, me compreendendo e não me julgando é fenomenal. Fico torcendo para que pelo menos 88% da população mundial possa ter esse tipo de momento com um amigo, quando as coisas mais pesadas e torturantes se tornam corriqueiras e engraçadas.
O melhor remédio além do amigo, é o amigo que te faz rir. Desejo que cada um possa apreciar melhor a companhia de seus amigos, nem sempre podemos estar cara a cara, e nem sempre precisamos, basta ter um conexão, essa pode ser telepática ou via wifii, ou conexão de olhar, já na importa o meio, importa apenas que exista.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

O novo, e o novo velho.




Eu costuma brincar quando comprava algo usado, que era algo novo, mas ainda era velho, pra mim era um novo, velho. Hoje com a expansão da internet e com o avanço das redes sociais muita coisa repaginada tem chegado até cada um de nós. Assim as músicas do passado tem voltado em novas versões, com cantores desconhecidos, ou com conhecidos cantores, e hoje encontrei uma antiga canção, na verdade várias antigas canções com novas versões, uma delas foi a Sangatsu Kokonoka, uma música japonesa que foi tema de uma novela muito dramática, que baseada em fatos reais contava a história de uma jovem com uma doença degenerativa, a novela foi baseada nos diários que a menina escreveu durante sua doença, a música toda é linda mas eu hoje me peguei num pequeno verso: "Tem coisas que não vejo do jeito que planejei, mas quando olho pro céu, até isso parece pequeno", essa a tradução desse pequeno verso.
Muitas vezes nos pegamos presos nos nossos planos e projetos, esperando que de alguma forma eles se concretizem, e tão fixados no resultado perdemos todo o trajeto, todo o caminho que nos leva aos objetivos, e frustrados nos sentimos quando além de perder a caminhada toda, não encontramos o que procurávamos, e muitas vezes nem notamos que existe algo muito maior, melhor e perfeitamente preparado para substituir aquele desejo que nem seria o que nos faria de verdade felizes.
Nessa mesma música tem um outro trecho que diz: "Se eu fechar os olhos, você está atrás das minhas pálpebras, e quanto isso me faz forte? Eu também quero ficar assim para você" é simples enxergar nem precisamos estar de olhos abertos, em muitos momentos são os olhos fechados que nos permitem ver melhor, porque é dentro de cada um de nós que se encontra o verdadeiro sentido da existência mas teimamos em procurar o sentido fora.
Teimamos em esperar que algo externo venha e nos dê sentido, que nos complete ou que nos dê algo diferente, e que esse algo externo possa fazer uma diferença nas coisas tão iguais que vemos nos nossos dias. Então de tanto procurar ficamos cansados, frustrados, desanimados e ainda assim culpamos a falta desse algo externo. Toda a nossa riqueza, alegrias, realizações encontram-se dentro de nós, internamente, você pode até encontrar fontes externas de realização, mas para sentir algo bom, tem que ter algo bom dentro, que possa ser desperto, se você não cultivou, não aprendeu a sentir, nada vai adiantar encontrar. Você só pode ver amor, se estiver de olhos fechados, e por trás das suas pálpebras conseguir enxergar você mesmo e sentir amor.

terça-feira, 19 de março de 2019

Outono

Estava olhando álbuns antigos de fotografia, vendo aquelas imagens estáticas, de momentos felizes. O abraço, o sorriso, as comemorações, os lugares lindos, os bolos de aniversário, os presentes, os amigos, e então todas aquelas emoções frescas novamente. Todas aquelas pessoas novamente na minha vida. E então fecho os álbuns com uma boa sensação, tantas coisas aprendi, tanto amadureci. 
Não por acaso hoje acaba o verão, e chega  estação que eu mais gosto, daquelas fotos antigas, quantas tinham as folhas secas pelo chão. Quase todos devem achar que minha estação preferida é a primavera, afinal terapeuta das flores (essências florais) aqueles mais próximos sabem que não é, ainda hoje meu melhor amigo me mandou uma mensagem dizendo: amanhã começa sua estação preferida. O outono é época de colher, época da temperatura baixar, é também a época que o pôr do sol ganha tons incríveis, eu que sou apaixonada por esse momento do dia, quando a luz natural do sol se vai, permitindo a chegada da luz (escuridão) da noite. 
O outono pra mim é uma estação romântica, sempre me faz pensar numa xicara de chocolate quente, na brisa, porque no outono venta, e venta fresco, venta frio, é quando um abraço quente cai muito bem.
E estou particularmente feliz com a chegada desse outono, porque como eu disse, é época de colheita. No fechamento do último ano realizei um workshop sobre o caminho que fazemos na vida, no despertar, na transformação, na realização, e nesse caminho nos deparamos com as estações da vida, as estações que marcam exatamente esse ciclo infinito, que termina e recomeça, preparar a terra, semear, cuidar do que plantou e então colher. E depois da colheita, preparar a terra novamente para um novo ciclo. E aqui estamos nós, na época de colher, e eu já sinto farta a colheita, porque semeei coisas boas, tirei as ervas daninhas, com cuidado alimentei cada passo que dei, cada decisão, e filtrei todo adubo que eu poderia usar, para que agora sem desperdício houvesse essa sensação de que realizei um bom trabalho. 
Estava tão perdida, mas agora percebo que tudo era apenas ajuste, estava ajustando as coisas para poder então chegar nesse outono da minha vida.

terça-feira, 5 de março de 2019

Dores antigas

Sabe aquele momento que a sua vida parece estar entrando nos eixos, mas você viveu uma bagunça tanto tempo que isso parece tão estranho. Aquelas coisas que eram tão importantes, não importam mais, as que eram tão banais ganham um status mais elevado e por ironia aquilo que você mais temia, era o que iria te curar das suas angústias.
É como uma tempestade que vem, com ventos fortes, arranca árvores, casas, e então surge o Sol e o belo arco íris, e você precisa reconstruir tudo.
Tem coisas que evitamos a vida toda para não nos ferirmos, para não nos frustrarmos, mas eventualmente essas coisas passam bem perto, algumas vezes elas nos encontram. E como aprendemos todo veneno tem seu antídoto e geralmente ele vem na mesma base do veneno, é o mesmo veneno que mata que também cura. Por isso não existe bom ou mau, existem apenas as escolhas que fazemos e as consequências disso.
Algumas escolhas podem nos levar para caminhos de mais alegrias e outras para caminhos com mais frustração. Geralmente sabemos onde nossas escolhas podem nos levar, mas pagamos pra ver e isso pode causar grande atraso em nossas vidas, ou grandes avanços no melhor dos cenários.
Está reflexão me ocorre depois de perceber que alguns problemas de saúde pelos quais estou passando resultam da resolução de diversos traumas vividos anteriormente, e que por muito tempo lutei para não olhar para eles. Dores profundas da minha alma que guardei num baú lá no fundo do meu ser começam emergir para então serem resolvidas, e como o veneno da cobra, essas dores ou sintomas surgem para curar aquele antigo trauma. Situações da vida são gatilhos para que essas dores reapareçam, e toda vez que elas surgem estão nos pedindo atenção para algo, nem todos sabemos disso e por isso é comum vez ou outra apenas olharmos para a dor com medo e apreensão o que faz com ela aumente, quando olhamos para ela como antídoto que limpa um padrão antigo, bingo! Podemos nos livrar finalmente daquela cicatriz como numa bem sucedida operação plástica. E como foi resolvido não precisaremos mais repetir padrões negativos, e muito menos precisaremos sofrer.


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Simplesmente acontece



Love,Rosie é um filme interessante, ele retrata as relações de amizade e como muitas vezes elas se tornam tão intensas. Pela imaturidade ou pelo medo, evitamos olhar para os sentimentos e acabamos por evitar vivenciar eles, e vamos fazendo escolhas que impedem viver o que realmente pode ser saudável e legitimo. Muitas vezes a vida dá várias voltas até que possamos encontrar a verdade, ou aceitar a verdade por trás das coisas. Me chamou atenção a cena que Greg volta, e Rosie o aceita, para não continuar sozinha, e tentar preencher aquele espaço de pai, que sua filha solicitava. Curioso que na verdade todas as escolhas erradas aconteceram por conta dos sentimentos que o casal reprimiu, aí volto para o adento, por imaturidade ou por medo.
A vida segue seu fluxo e Alex a sua maneira vai buscando preencher sua vida com superficialidades, que não fazem parte da sua essência, ele aparentemente tem tudo. 
Gosto muito da cena que a filha de Rosie tem seu primeiro beijo roubado por seu melhor amigo, parece que o erro da mãe quer se repetir, por sorte, Alex já mais sofrido (vivido), não permite que isso aconteça, apontando o que aconteceu com ele ao tomar a decisão de evitar falar verdadeiramente dos seus sentimentos.
Não podemos viver colocando nossos sentimentos para baixo do tapete. Isso apenas cria atrasos nas nossas vidas, e em alguns casos pode até por a perder momentos incríveis de alegria ao lado de pessoas que realmente são importantes. Como é bom quando a vida nos dá uma segunda chance. Só que se prestarmos atenção, somos nós mesmos que nos damos essa chance, quando agimos com maturidade e aceitamos nossos sentimentos. 

domingo, 1 de março de 2015

Viver como as flores


– Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.

– Pois viva como as flores - advertiu o mestre!

– Como é viver como as flores - perguntou o discípulo?

– Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. – Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas. É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.

Lembre-se: nesta vida, nada deve nos aborrecer.



Autor: Desconhecido

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eu sou tudo aquilo que carrego no meu coração, e tudo que carrego se resume na confiança da existência de uma força maior, que rege e comanda tudo, mas que permite que livre eu seja para realizar, e também para destruir. Porque tudo aquilo que carregamos dentro de nosso coração pode ser leve como pluma ou pesado como pedra, por isso é importante saber o que alimentamos dentro de nós, que tipo de sentimentos são nutridos no nosso dia a dia. Se eu sou tudo o que carrego dentro, posso ser amável e solidária como posso ser pessimista e derrotista. As qualidades que externo dependem daquilo que tenho dentro. A cada novo dia nós é dada a oportunidade de um novo começo, e só depende de nós mesmos o cultivo e a colheira, e o tamanho do fardo que será vivido em cada dia. Por isso por mais duro que pareçam seus pesares, alimenta a esperança, lembra sempre que a tempestade vem e molha o solo, de onde brotam as sementes, e que mesmo que o dia esteja nublado, acima das nuvens está o sol. Que todas as nossas escolhas nos levem a caminhos onde mesmo com buracos e poças de lama, possamos caminhar sem sujar nossos pés, assim, mesmo que tudo pareça um lamaçal, impregnar-se da lama depende apenas do descuido de nossos passos. Que em cada coração exista sempre amor, paz, e esperança.  
 
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O inesperado

E que cada dia a vida produza o inesperado, por que o inesperado é um presente que vem aberto, sem laço, é o momento em que o mais importante é apenas aceitar. Que cada dia produza momentos que não precisem ser embrulhados ou desembrulhados. Porque muitos se queixam que a vida é complicada, quando na verdade a vida é simples, é uma dádiva é um presente que nos foi dado, um presente aberto e que teimamos em enfeitar com mil adornos que são deixados de lado, descartados depois das surpresas encontradas. 
A maior surpresa está em viver a vida sem dela nada esperar, porque é surpreendido a cada instante, sem necessidade de desatar ou fazer laços, simplesmente apreciar.
Ter metas é saber onde se quer chegar, planejar faz parte de todo sucesso, saber esperar não é ficar parado, é agir sempre, é buscar estar preparado para receber o inesperado, fazer dele parte do trajeto para as grandes conquistas, esperar é além de tudo saber contemplar, a si e ao mundo, é não precisar de chaves, mas de visão e atitude.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tem dias a gente fica tão intolerante, qualquer coisa, por menor que seja, pode ser capaz de liberar as piores emoções contidas, qualquer coisa mesmo; refletindo sobre isso percebi que nesses momentos, em especial, ficamos bem menores ao mesmo tempo que nos tornamos bem maiores, isso mesmo, liberamos o pior de nós mesmos, as nossas piores palavras, as mais críticas, as mais duras e por isso somos num momento menores, ao mesmo tempo somos capazes de sermos mais sinceros, não só com os outros, mas com nós mesmos, ou seja, é como se nesses momentos de intolerância estivéssemos bêbados, com a consciência alterada, sem censura, livres, verdadeiros, maiores, porém em muitas situações, piores.
Piores porque quem quer que esteja a nossa frente vai ouvir tudo aquilo que você deseja dizer, tudo mesmo, coisas que vão sair pela sua boca, sem filtro, sem medida, simplesmente como se o mais importante fosse não raciocinar, apenas dizer, a intolerância é um estado desarmônico do ser, assim como a embriagues, a lucidez é reduzida ou ampliada e as consequências podem ser desastrosas.
Observar seu estado de espírito antes de qualquer encontro é o ideal para evitar explosões de intolerância, se você se percebe um pouco tenso, nervoso acima do que te parece normal, tente perguntar-se "o que está me deixando assim?", resolva-se consigo mesmo, respire. Quando buscamos sinceramente pelo equilíbrio, ele de uma maneira ou de outra aparece, a harmonia está no ponto onde seus pensamentos já não ti perturbam mas ti apaziguam.

Muitas vezes a intolerância é sinal de uma projeção que fazemos, sabe aquele ditado que diz: "Vê o argueiro no olho do irmão e não repara na trave que está no seu olho". Negando a própria sombra, projetamos ela no outro.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Chuva

Hoje aqui passou um vendaval, tudo ficou vermelho, cor da terra que subiu e o vento fez rodopiar, a sensação é tão estranha, porque o vento sobe a poeira e o pouco que podemos fazer é fechar tudo e deixar o vento soprar lá fora, ou ficar de espectador. Depois do vendaval, como prêmio para aqueles que torciam por um final feliz, depois de tanta sujeira que ficou bagunçada no chão, veio a chuva, que de começo apareceu timida, depois com um pouco de força foi limpando o chão. Perfeita é a natureza. Nós seres humanos é que não somos, não sabemos nem mesmo cuidar do nosso espaço urbano. Tanta enchente e desastre decorre de uma falta estrutural nas cidades, que apenas se prepararam para habitar, e não para viver. Porque viver, viver é absorver também a natureza, com serenidade, sem apavoro, sem medo, é poder ser espectador, e não protagonista de drama concorrendo ao Oscar, viver é estar e compartilhar, não só habitar, ou seja, não só morar.
Quanta sujeira vi voando pelo ar, quantos saquinhos de plástico, quantas embalagens, copos descartáveis, seria muito mais bonito se só rodopiassem no ar, as folhas secas que cairam das árvores, as flores amarelas dos ipês.
Agora o ar fresco lá fora me inspirou ouvir algumas músicas, não por acaso, encontrei a música, Chuva, do cantor Zeca Baleiro, melodia maravilhosa que acompanha o lindo poema que segue abaixo, que tocou fundo meu intimo, pois ainda nessa manhã quando sol brilhava, eu ouvia uma estação de rádio, era o horário do horoscopo, o meu dizia: seu sol está numa posição que o deixa introspectivo, voltado para si nessa fase. Sempre a chuva nos faz parar, nos abrigar, nos proteger, como diz a canção, é ruim ter tanto amor sendo só, mas em meus momentos introspectivos percebo que mesmo estando apenas comigo mesma, não estou sozinha. Só Deus pode me consolar, e ele consola, sempre!


Que todos nós possamos apreciar melhor a chuva passar, se cada um fizer a sua parte, se cada um respeitar o seu espaço, poderemos ser espectadores, sempre, de grandes maravilhas da natureza.


Chove lá fora
Qual chuva dentro
Do meu coração
Sinto a tristeza caindo, em
Pingos de dor
Solidão
É ruim ter tanto amor
Sendo só
Que o sol não ousa nem
Chegar
E só Deus pode me consolar
Dessa dor
Ah! como você foi ruim
Nem meu pranto fez
Você ficar
Nem a chuva fez

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tempestade

Também tenho meus dias negros, também sofro as vezes, também choro quando as coisas não dão certo, é humano sofrer, é humano querer sumir algumas vezes. É humano ter aqueles dias que nada faz sentido, e que tudo parece perdido.
Gostaria de me encontrar num nível evolutivo onde não fizesse sentido sofrer, mas estando aqui nesse momento o sofrimento se faz sentir, e faz sentido.


Mas além do horizonte existe um lugar.... como diz a música... bonito e tranquilo pra gente se amar.


Esses últimos dias vi tanta coisa linda sobre não desistir, isso me inspira nesse momento a adotar esse remédio contra toda a angústia que apareceu sorrateiramente, não desistir, seguir em frente. Depois da tempestade surge o arco-íris, na vida também, quando somos capazes de viver a tormenta e elaborar os estragos, o arco-íris majestoso surge, sinalizando que o caminho pode ser tortuoso algumas vezes, mas o amor sempre vence ao final.

sábado, 27 de agosto de 2011

O preço do Milagre

   

Uma garotinha foi para o quarto e pegou um vidro de geléia que estava escondido no armário e derramou todas as moedas no chão.
Contou uma por uma, com muito cuidado, três vezes. O total precisava estar exatamente correto. Não havia chance para erros.

Colocando as moedas de volta no vidro e tampando-o bem, saiu pela porta dos fundos em direção à farmácia Rexall, cuja placa acima da porta tinha o rosto de um índio.

Esperou com paciência o farmacêutico lhe dirigir a palavra, mas ele estava ocupado demais. A garotinha ficou arrastando os pés para chamar atenção, mas nada. Pigarreou, fazendo o som mais enojante possível, mas não adiantou nada. Por fim tirou uma moeda de 25 centavos do frasco e bateu com ela no vidro do balcão. E funcionou!

- O que você quer? - perguntou o farmacêutico irritado. - Estou conversando com o meu irmão de Chicago que não vejo há anos -, explicou ele sem esperar uma resposta.

- Bem, eu queria falar com o senhor sobre o meu irmão -, respondeu Tess no mesmo tom irritado. - Ele está muito, muito doente mesmo, e eu quero comprar um milagre.

- Desculpe, não entendi. - disse o farmacêutico.

- O nome dele é Andrew. Tem um caroço muito ruim crescendo dentro da cabeça dele e o meu pai diz que ele precisa de um milagre. Então eu queria saber quanto custa um milagre.

- Garotinha, aqui nós não vendemos milagres. Sinto muito, mas não posso ajudá-la. - explicou o farmacêutico num tom mais compreensivo.

- Eu tenho dinheiro. Se não for suficiente vou buscar o resto. O senhor só precisa me dizer quanto custa.

O irmão do farmacêutico, um senhor bem aparentado, abaixou-se um pouco para perguntar à menininha de que tipo de milagre o irmão dela precisava.

- Não sei. Só sei que ele está muito doente e a minha mãe disse que ele precisa de uma operação, mas o meu pai não tem condições de pagar, então eu queria usar o meu dinheiro.

- Quanto você tem? - perguntou o senhor da cidade grande.

- Um dólar e onze cêntimos -, respondeu a garotinha bem baixinho. - E não tenho mais nada. Mas posso arranjar mais se for preciso.

- Mas que coincidência! - disse o homem sorrindo. - Um dólar e onze cêntimos! O preço exato de um milagre para irmãozinhos!

Pegando o dinheiro com uma das mãos e segurando com a outra a mão da menininha, ele disse:
- Mostre-me onde você mora, porque quero ver o seu irmão e conhecer os seus pais. Vamos ver se tenho o tipo de milagre que você precisa..

Aquele senhor elegante era o Dr. Carlton Armstrong, um neurocirurgião. A cirurgia foi feita sem ônus para a família, e depois de pouco tempo Andrew teve alta e voltou para casa.

Os pais estavam conversando alegremente sobre todos os acontecimentos que os levaram àquele ponto, quando a mãe disse em voz baixa:

- Aquela operação foi um milagre. Quanto será que custaria?

A garotinha sorriu, pois sabia exatamente o preço: um dólar e onze cêntimos! - Mais a fé de uma criancinha.

Em nossas vidas, nunca sabemos quantos milagres precisaremos.

Um milagre não é o adiamento de uma lei natural, mas a operação de uma lei superior. Sei que você vai passar esta bola pra frente!

Uma bola é um círculo, sem início, sem fim. Ela nos mantém unidos como nosso Círculo de Amigos. Mas o tesouro interior que você verá é o tesouro da amizade que você me concedeu.

Hoje eu passo a bola da amizade para você.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Você já agradeceu?

Tem um tempo atrás escrevi um post com esse mesmo título, Você já agradeceu? Escrevi inspirada numa cena que vi no filme, As mães de Chico Xavier, lindíssimo filme, falei da minha cena preferida, que revi esses dias quando assisti novamente ao filme. 
Toda vez que vejo essa cena me emociono, me comovo e me coloco a pensar, pensar nas coisas simples, tão simples e que nos esquecemos, agradecer... 


Agente as vezes reluta em perder, ninguém quer perder aquilo que possui, e isso acontece por não conhecermos a verdade sobre possuir.


"O que é nosso, ou pode ser considerado nosso, é somente aquilo que podemos levar conosco para toda eternidade" (A força do Pensamento - Miramez, Sissi Antunes, p.59).


Um tempo atrás tive oportunidade de conhecer um homem, que trouxe muita alegria para a minha vida, era um homem com um brilho diferente, especial, meus olhos o viam assim, um herói que vinha de longe, um príncipe cheio de virtudes que me salvaria da monotonia em que se encontrava minha vida. Passei certo tempo na companhia desse homem e como era agradável, como era edificante estar com ele, conversávamos longamente, os mais diversos assuntos, filosofávamos, riamos tanto. Descobri com ele um novo idioma, na verdade dois, o espanhol, o italiano; ele me mostrou muito da culinária, muitos sabores novos, me contou sobre culturas diferentes, me despertou o interesse pela leitura, pelos grandes clássicos, pela boa música. Em menos de dois anos eu aprenderá o que não havia conhecido em toda a vida. Mas a vida queria me ensinar muito mais coisas, foi quando esse homem partiu da minha vida, e tive que encarar a triste e dura realidade, aquele príncipe nunca existiu. Foi um criação da minha percepção equivocada e ingenua, aquele homem era mais um lobo em pele de cordeiro; tive que encarar isso, tive que abrir os olhos para todas as mentiras, para toda a conversa fiada, para todas as promessas falsas, para tudo. 
O que ele me ensinou o que aprendi, isso é verdadeiro, mas quem ele era, era uma grande mentira ambulante, um grande ator.
Como qualquer ser humano imperfeito, sofri por enxergar a triste realidade, fui enganada; demorei dar conta da oportunidade tremenda que havia sido presenteada. Agente sempre olha para as perdas, e esquece de olhar os ganhos. 
Hoje me sinto feliz por ter conhecido aquele homem, sinto gratidão pelo que ele me ensinou, pelo que ele me trouxe de bom, por ele ter me feito enxergar a força que eu carregava em mim e que eu desconhecia, força para superar inclusive a verdade sobre ele, não louvo nem admiro o que ele fez, suas mentiras e falsidade, mas agradeço por ele ter passado pela minha vida, por eu ter oportunidade de ver com meus olhos que o mundo tem pessoas as quais não devemos devotar confiança.
As vezes passam pessoas por nossa vida, pessoas as quais nos decepcionam, magoam, ofendem, todas elas são apenas instrumentos para o nosso desenvolvimento, para nossa evolução, para o nosso progresso, quando conseguimos enxergar nossas perdas como conquistas, nos livramos das amarras que empatam nosso crescimento.
Agradeça também por suas perdas, tudo lhe é oferecido como degrau.

domingo, 15 de maio de 2011

The Voice - Jupiter

Sempre adorei essa canção, a ouvi a primeira vez em japones, com a cantora Ayaka Hirahara, depois de lança-la em japones ela vez um versão em inglês, e eu nunca parei pra refletir sobre a letra da canção, agora não por acaso, algo me fez prestar atenção... uma letra especial....


The Voice ~"jupiter" English Version~ Ayaka Hirahara

Original

*1 Everyday I listen to my heart
at times when I can't see
when my faith is nowhere to be found
I trust the voice in me

So when you're lost, wishing for an angel
or a hand to pull you through
when the world is on your shoulder
just trust the voice in you

*2 Everyday I listen to my heart
when I'm too numb to feel
when my strength is nowhere to be found
I trust the voice in... me

Sometimes life moves in mysterious ways
and you don't know when it will end
it's a fight no one can fill your place
and nothing's like you plan

But when you call, looking for an answer
to justify what you have to do
Baby don't look any further
just trust the voice in you

Everyday I listen to my heart
when I'm just too blind to see
when my faith is nowhere to be found
I trust the voice in me

When the world is on your shoulder
and you're looking for your way

*2 repete

When we all have our own private war
you know there's times when doubt fills your head
when all good advice will only get you misled

*1

*2 repete

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Saudade

...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Hoje estou sentindo saudades... às vezes ela se faz sentir... fui procurar algum poema, alguma frase, que expressasse o que estou sentindo, Pablo Neruda caiu como uma luva.
O futuro faz um convite, cada dia é uma oportunidade que temos de construir algo melhor, existem coisas que devemos deixar partir, para podermos encontrar novas coisas... essa saudade que sinto é de um passado que já passou.... e trás para o meu presente um sentimento que já não cabe mais, porque essa saudade às vezes faz doer. Ciente disso acredito que o melhor é olhar para frente, seguir meus passos, não olhar as pegadas. Nenhum dia é o mesmo dia, nem todo dia 10 é dia 10, visto que cada dia 10 pertence a um mês diferente, de um ano diferente, de uma década diferente; a atenção agora deve estar no 'agora', no dia que vivo hoje, e nas oportunidades que ele me trará... 
Mas lembrando, cada um tem uma maneira de sentir, e cada momento é um momento.... espero ter momentos em que esse poema de Neruda já não se encaixe tão bem.
E fecho esse pensamento com as palavras de um dos meus poetas preferidos.

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

terça-feira, 26 de abril de 2011

“Comece em você tudo aquilo que quer mudar no outro”

“Comece em você tudo aquilo que quer mudar no outro”

Hoje essa frase veio me chamar a atenção, ela estava num convite para uma palestra; a pouco chego de uma outra palestra que entre outras tantas coisas falava justamente sobre o conteúdo dessa mesma frase... 
Muitas vezes nos vemos apontando o defeito do outro, o problema do outro, a vida do outro, de maneira crítica. Parece que sempre temos a solução para os problemas do próximo, é só ele ser mais positivo, é só ele ser mais corajoso, mais determinado, menos responsável ou mais responsável; palpitar a vida alheia é fácil, difícil é olhar os próprios problemas.
Sempre me pego pensando na vida das pessoas que me cercam, vejo tantas pessoas repetindo os mesmos erros, buscando caminhos errados, achando que estão no certo, outros parados no tempo enquanto o tempo passa, fico pensando maneiras para ajudar, maneiras para mostrar a eles como tudo pode ser mais simples. Então hoje me deparo com essa fatídica frase:“Comece em você tudo aquilo que quer mudar no outro”.

Nessa palestra que acabo de chegar, o palestrante usou uma história para ilustrar uma de suas respostas a uma questão bem pertinente; alguém começou contar que desejava montar um tipo de projeto para dar suporte às gestantes carentes, orientando-as e de certa maneira ensinando sobre o desenvolvimento embrionário, a capacidade e potencial do cérebro, etc... afim de que essas crianças, de certa forma mais estimuladas, pudessem no futuro ter mais oportunidades. Então o palestrante falou sobre o homem que observava um casulo, de onde uma borboleta se esforçava para sair, olhando a dificuldade da borboleta o homem querendo ajudar abriu um buraco no casulo, para facilitar a saída da borboleta, mas bem se sabe que aquele esforço era necessário à borboleta, para que ela ganhasse força em suas asas, para que pudesse livre do casulo voar. Interessante que estou montando um trabalho para uma amiga e nele contém essa história, A lição da Borboleta, e hoje novamente ouço essa história, e agora faz sentido a mensagem para minha vida. Quando nós mesmos nos colocamos no lugar da frágil borboleta, lutando para sair do casulo, percebemos, sem esforço não ganharemos força para enfrentar a vida, se aceitarmos uma mão inadvertida que nos é estendida, afim de facilitar nossa prova, talvez não teremos forças na prova que vem a seguir. 
Algumas vezes ao tentar mudar a vida do outro, tentando ajudá-lo podemos estar atrapalhando, o privando daquela experiência que tem a função de ensinar alguma lição importante a ele. Por isso devemos respeitar o tempo de cada um, assim como saber esperar o nosso próprio tempo para intervir, o tempo em que se for solicitado, ou o tempo em que se fizer realmente necessário estender a mão.
Por isso é interessante intervir primeiro na própria vida, começar em nós mesmos aquilo que queremos mudar no outro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

As quatro verdades de Buda

Estava pensando sobre algumas questões da vida e resolvi pesquisar sobre o budismo, encontrei então as quatro grandes verdades de Buda:

A existência implica a dor -- O nascimento, a idade, a morte e os desejos são sofrimentos.

A origem da dor é o desejo e o afeto -- As pessoas buscam prazeres que não duram muito tempo e buscam alegria que leva a mais sofrimento.

O fim da dor -- só é possível com o fim do desejo.

A Quarta Verdade -- se prega que a superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos: 

Compreensão correta: a pessoa deve aceitar as Quatro Verdades e os oito passos de Buda.
Pensamento correto: A pessoa deve renunciar todo prazer através dos sentidos e o pensamento mal.
Linguagem correta: A pessoa não deve mentir, enganar ou abusar de ninguém.
Comportamento correto: A pessoa não deve destruir nenhuma criatura, ou cometer atos ilegais.
Modo de vida correto: O modo de vida não deve trazer prejuízo a nada ou a ninguém.
Esforço correto: A pessoa deve evitar qualquer mal hábito e desfazer de qualquer um que o possua.
Desígnio correto: A pessoa deve observar, estar alerta, livre de desejo e da dor.
Meditação correta: Ao abandonar todos os prazeres sensuais, as más qualidades, alegrias e dores, a pessoa deve entrar nos quatro gráus da meditação, que são produzidos pela concentração.

Isso me fez lembrar de um trabalho da faculdade, sobre o Desejo segundo Freud, na verdade o ser humano realmente vive movido pelo desejo, até postei algo sobre isso (leia aqui), agora lendo as verdades de Buda percebo quanto o desejo nos faz reféns de uma vida incompleta e infeliz, não só o desejo, mas como nos diz buda também os afetos.
Desejamos ter, no lugar de desejar ser; desejamos coisas que só a curto prazo podem nos trazer algum tipo de prazer, quando o mais correto seria buscar por coisas que permaneçam a longo prazo, essas coisas geralmente estão dentro de nós mesmos, porque já nascemos donos delas, apenas esquecemos com o decorrer da vida de que a maior felicidade encontrasse no próprio interior e não nas coisas do exterior. As coisas no exterior são um reflexo da nossa condição interior. 
Nesse momento fico imaginando uma sociedade seguidora dos ensinamentos de Buda, como seria diferente, como haveria mais paz, mais harmonia... será que um dia algo assim será possível?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

As mães de Chico Xavier - Minha cena preferida

Esse final de semana por duas vezes me fez lembrar um trecho do filme As mães de Chico Xavier, uma cena muito bonita, a minha preferida. Elisa é mãe de Theo, que está para completar 5 anos, um dia Theo vai passear com a babá de bicicleta, ambos saem felizes com o passeio, mas por se assustar com um cachorro a babá perde o controle da bicicleta e Theo cai, batendo a cabeça; dias depois o menino se queixa de dores fortes na cabeça é internado e morre. Elisa vai visitar Chico Xavier e ele sabendo do acontecido lhe pergunta se ela já agradeceu a babá, ela fica um pouco surpresa com essa pergunta, diz ao Chico que já perdoou, mas agradecer não, talvez nem tivesse lhe passado pela cabeça isso, e por isso mesmo essa é uma das minhas cenas preferidas, porque sei que é baseada num fato real, e a gente muitas vezes só vê um lado da moeda, e geralmente olhamos apenas para o lado que nos convêm. Chico então naquela imensa generosidade explica à Elisa que a babá foi um instrumento usado para o desencarne de Theo, imagine se Theo tivesse caido dos braços da mãe, que culpa se instalaria com sua morte prematura, nada acontece por acaso, tudo tem um propósito maior, nós que muitas vezes insistimos em fechar nossos olhos para aquilo que está tão claro à nossa frente, Chico tinha algo raro, tinha essa capacidade de ver além, de sentir com a alma imortal e sábia, mas tarde Theo através da psicografia envia a mãe notícias, e lhe explica que ele já nascera com uma doença, o tombo só veio a manifestar aquilo que com certeza mais cedo ou mais tarde se manifestaria, outra parte tocante, afinal ao que nós transmite o filme, Theo não sofreu, talvez se não sofresse o tombo, sua doença se manifestaria mais tarde, trazendo talvez maior dor, ressalto: Nada acontece por Acaso.
Agradecer, acho que essa é a palavra chave, junto com as palavras perdão e amor.

Uma linda semana de paz para todos!!!