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sábado, 3 de março de 2012

A vida da gente




Ana minha querida
Dizem que o amor acaba que o amor termina, mas não é verdade, nada acaba, tudo dura, continua e se transforma. Enquanto eu aguardava aquela cirurgia mil anos se passaram as duas estavam lá dentro e eu pensava, se acontecer alguma coisa com elas eu morro.
Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça e por isso eu vi, vi vocês duas meninas chegando à nossa casa, vi nós três juntos ainda pequenos e tantos e tantos momentos, vi você levantando taças troféus, tua imagem na revista inacessível, distante da criança que eu era e que você era também, depois nossa fuga de casa e nosso medo e nossa coragem e o salto sem rede que tantas vezes se chama amor.
Vi você indo embora sendo levada de diferentes formas, tantas e tantas vezes, e depois vi você voltando e no fundo do seus olhos como num rio, tudo que a gente não tinha vivido, a partir dai eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas. Uma que eu tava vivendo e outra que eu jamais tinha podido viver. Durante meus piores momentos enquanto eu aguardava naquela sala, como se a doença da nossa filha tivesse me curado eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma, o que tinha sido vivido que tinha ficado pra trás tudo, era parte de uma mesma historia de uma mesma vida e de um mesmo sentimento, amor. E foi então que eu vi nós dois juntos cruzando a fronteira.
Como se eu tivesse alcançado o outro lado da margem de um rio, o rio onde a gente se amou pela primeira vez, o rio do acidente, mas sempre um rio. 
É porque naquele momento eu precisava ser forte finalmente sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno, como se num instante eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim me esperando do outro lado da fronteira que sem perceber nos já tínhamos cruzado, uma infância compartilhada, uma adolescência truncada, uma juventude não vivida, do lado de cá dois adultos maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado, feito de lembranças de sonhos antigos porque há novos sonhos do lado de cá da fronteira e agora podemos viver. 

domingo, 14 de agosto de 2011

Morde e Assopra - Uma breve reflexão

Hoje vendo a novela Morde e Assopra lembrei daquele poema de Carlos Drummond de Andrade, A Quadrilha, pelo andar da história, muito provavelmente Julia fica com Ícaro, Naomi fica com Abner, Celeste com Aurio, que eu imagino ser o pai do filho que ela espera... Talvez Francisco deixe a batina pra ficar enfim com Melissa, vai saber se a Keiko volta e fica com Wilson, A "Pirulitona" desmascarada, deixa Xavier livre para Maria João, o fofinho do Davi bem que podia encontrar uma caipira bem ajeitada, pelo jeito o Akira vai se entender com a prima da ex-noiva. E Alice, volta com Guilherme ou fica com o enfermeiro? Tiago que foi apaixonado por Julia fica com a empregada? E o Cristiano que também amava Julia? 
Acho que é a primeira vez que faço previsões sobre uma novela aqui no blog... bem sempre tem uma primeira vez pra tudo, meu objetivo não é virar blogueira de telenovela, também porque não sou noveleira, mas é que hoje achei interessante essa temática de troca de casais, descoberta de novas possibilidades, geralmente agente fica vendo o casal de protagonista sofrendo pra ficar juntos durante toda a novela, enfim perto dos últimos capítulos eles começam finalmente ficar mais próximos até que enfim os empecilhos se resolvem e vão viver felizes para sempre. 
Talvez esse clima entre esses casais desacertados ainda mude, Julia e Abner ainda se acertem, apesar de fazer muito mais sentido Julia ficar com Ícaro, e Naomi com Abner, já que a Julia não causou grandes mudanças em Abner, com Julia ele continuou o mesmo bobo, caindo nas trapaças de Celeste, agora Naomi sim, essa parece que vai causar alguma mudança no durão, enquanto ela também sofre mudanças ao lado de Abner.
O amor parece provocar essas mudanças, abre as portas para uma espécie de evolução pessoal no individuo que o experimenta, é interessante observar isso, agente muda quando se apaixona, quando mudamos e essa mudança é significativa e claro positiva, é sinal que esse relacionamento nos faz bem, de alguma maneira o outro nos faz sentir, nos faz ser pessoas melhores, talvez pelo fato de que os relacionamentos nada mais são do que a melhor oportunidade para se evoluir, espiritualmente falando. 



QUADRILHA


João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade