domingo, 25 de fevereiro de 2018

Simplesmente acontece



Love,Rosie é um filme interessante, ele retrata as relações de amizade e como muitas vezes elas se tornam tão intensas. Pela imaturidade ou pelo medo, evitamos olhar para os sentimentos e acabamos por evitar vivenciar eles, e vamos fazendo escolhas que impedem viver o que realmente pode ser saudável e legitimo. Muitas vezes a vida dá várias voltas até que possamos encontrar a verdade, ou aceitar a verdade por trás das coisas. Me chamou atenção a cena que Greg volta, e Rosie o aceita, para não continuar sozinha, e tentar preencher aquele espaço de pai, que sua filha solicitava. Curioso que na verdade todas as escolhas erradas aconteceram por conta dos sentimentos que o casal reprimiu, aí volto para o adento, por imaturidade ou por medo.
A vida segue seu fluxo e Alex a sua maneira vai buscando preencher sua vida com superficialidades, que não fazem parte da sua essência, ele aparentemente tem tudo. 
Gosto muito da cena que a filha de Rosie tem seu primeiro beijo roubado por seu melhor amigo, parece que o erro da mãe quer se repetir, por sorte, Alex já mais sofrido (vivido), não permite que isso aconteça, apontando o que aconteceu com ele ao tomar a decisão de evitar falar verdadeiramente dos seus sentimentos.
Não podemos viver colocando nossos sentimentos para baixo do tapete. Isso apenas cria atrasos nas nossas vidas, e em alguns casos pode até por a perder momentos incríveis de alegria ao lado de pessoas que realmente são importantes. Como é bom quando a vida nos dá uma segunda chance. Só que se prestarmos atenção, somos nós mesmos que nos damos essa chance, quando agimos com maturidade e aceitamos nossos sentimentos. 

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Reviravoltas

Estive pensando nas reviravoltas que a vida dá. Nem sempre teremos certeza sobre o rumo a tomar, mas no momento em que decidimos o caminho fica mais claro perceber se vale ou não a pena continuar nele, antes eu acreditava que não se poderia voltar atrás, mas hoje com a prática da vida, aprendi, que sim, poderemos sempre voltar, desde que tenhamos realizado um bom trabalho anteriormente. 

Eu sei que escolhi uma profissão que me faz muito feliz e ser terapeuta holística é algo que está dentro do meu coração tem muito tempo, e talvez por dedicar com tanto amor a essa área tudo vai fluindo bem na minha vida profissional, só que a vida me surpreendeu com algo novo, a possibilidade de ter aquilo que muitas pessoas almejam, a estabilidade financeira através de um cargo público. 

Quando eu sai da faculdade de psicologia me coloquei a prestar concursos públicos para psicóloga, ainda não tinha muito definida a minha carreira profissional, estava cheia de incertezas, e os concursos pareciam uma boa opção naquele momento. Ocorre que as vezes os concursos demoram a chamar. E nesse tempo, enquanto não era convocada a trabalhar fui construindo então a minha carreira profissional, como terapeuta holística, e quando então a convocação para trabalhar como funcionária pública ocorreu me deixou desnorteada. O que fazer? Que caminho seguir?

Optei por experimentar o novo, o novo tinha também um certo "ar" de desafio, e eu gosto de desafios, afinal eu havia estudado durante tanto tempo, a faculdade foi para mim algo extremamente desafiador, eu já era adulta quando iniciei os estudos de graduação, e já tinha até feito uma pós graduação, eu precisava aceitar esse desafio. Mas eu não poderia deixar de ser também terapeuta holística, ali também havia depositado muito estudo, muita busca pessoal, e tinha também o compromisso com as pessoas que estava sob meus cuidados. Me desdobrei para aceitar o novo emprego e manter a ocupação anterior.

Desde o primeiro dia eu já sabia, eu estava empolgada com tudo aquilo, eu havia prestado concurso, ficado muito bem colocada, tinha capacidade para ocupar aquele cargo, e poderia realizar um excelente trabalho, mas não senti que estava avançando como profissional, sentia na verdade, um retrocesso, eu já sabia, meu coração não estava lá.

Nessa mesma época eu terminava um namoro de quase 3 anos, um rapaz que foi muito importante na minha história, mas que não compartilhava dos mesmos objetivos pessoais, e isso era para mim algo também muito pesado para lidar, afinal, eu sempre tive um grande sonho de compartilhar minha vida com alguém, e que esse alguém pudesse olhar comigo a mesma direção. Foi então depois do termino do namoro que ficou claro para mim que eu havia me colocado ali, aceitado aquele emprego pelo desafio, e para realizar o sonho daquele rapaz. Era ele quem queria muito um emprego como aquele que eu havia conquistado, e era horrível para ele perceber que eu não estava feliz ali, era impossível para ele compreender. 

A separação no namoro era inevitável, e acredito que pedir a demissão daquele emprego também, não era um sonho meu, e tampouco poderia vir a ser. Mas claro toda decisão deve ser pensada, não deve acontecer por impulso, e nesse processo por pensar sobre a demissão, comecei adoecer. A vida tornou-se cinza, e sair da porta de casa para a rua algo torturante, curioso que para minha vida como terapeuta, apesar de cansada do dia exaustivo, era a única coisa que mantinha minha luz a brilhar. 

Claro, pedi demissão, voltei a vida anterior, mas voltei renovada pela experiencia que passei, uma experiencia de coragem, coragem por ter tentado o novo, coragem por optar pelo que me faz feliz. 

De tudo tudo isso tirei várias lições, a mais especial é que eu posso sonhar, e posso realizar os meus sonhos, não preciso viver nem realizar o de outros, eles mesmos devem fazer isso, aprendi que devemos tentar, e que não há vergonha nenhuma em dizer: não era o que o que eu pensava, e voltar. E principalmente, aprendi que ter trabalhado com o coração me deixou uma porta aberta, que nunca vai se fechar para mim. 

Se você trabalha com amor, as portas nunca se fecharão para você, e você sempre terá um lugar seguro para voltar. 

(Patricia A F Abreu)